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Mensagem do Pe. Ilson
Caro
Padre Ivonei,
Hoje, Festa da
Apresentação do Senhor!
Nos braços de Maria a
luz do mundo se apresenta humilde para
clarear todos aqueles se abrem ao seu
clarão.
Celebrei a Eucaristia
unindo-me a todos vocês nesta
significativa data da passagem dos
Quarenta anos da erecção canônica da
Paróquia São João Batista.
O que são 40 anos
perante Deus para quem mil anos são
como o dia que passou?
E, todavia, é necessário
que hoje todos nós saibamos retornar à
sua Presença para reconhecer o quanto
Ele manifestou em nós a sua Graça. Quem
não retorna para agradecer é porque não
compreendeu a profundidade do dom!
Quando foi chamado a dar
um nome ao menino nascido do ventre
outrora estéril de Isabel, para surpresa
dos familiares, o velho sacerdote
Zacarias, escreveu na tabuleta de
madeira “o seu nome é João –
que quer dizer: “Deus fez graça”
.
Sabia Zacarias que o
menino, chamado a preparar os Caminhos
do Senhor não era obra de sua pobreza,
mas dom que provinha da bondade Daquele
que “despreza os soberbos e eleva os
humildes”.
“João”!
Foi com este
nome que os mais antigos chacareiros dos
altos do Sertãozinho chamaram a pequena
capelinha construída às margens da
Estada da Barrinha.
“João”!
Foi este o
nome que também, o velho e já doente,
Arcebispo Dom Felício, argüido
pela solicitude pastoral de Cônego
Antonio, escreveu no decreto que
designou a segunda paróquia da cidade
que então começava atravessar o Córrego
Sul.
“
João”!
Foi este
nome, que um tempo indicou a zona pobre
e esquecida da cidade, na qual se
plantaram os audazes sonhos de engenho e
de industria de tantos dos seus filhos.
“
João”!
Foi esse o
nome que os ouvidos de tantos
trabalhadores e trabalhadoras ,vindos de
longe para ganhar seu pão, ouviram como
endereço para sua, não raro, humilde
morada.
“
João”!
Foi este
nome que todos nós aprendemos a repetir
e ensinar com orgulho quando nos
perguntam sobre as nossas mais profundas
raízes.
“
João”!
Foi este o
nome, aparentemente frágil, que foi o
fundamento daquela energia vital que se
irradiou por toda Sertãozinho.
“
João”!
Foi este
nome, porquanto pequeno, a determinar
que, para preparar os caminhos do
Senhor, não era possível conter-se
apenas na humilde capela de torre e sino
numa praça da periferia.
“João”!
Era o nome
que exigia fossem derrubados os muros,
fossem alargados os braços e arregaçadas
as mangas, que se dilatassem os
corações, que se ampliassem os
horizontes bem além do que os olhos
então podiam ver, que se semeasse sem
medir esforços nem deixar-se condicionar
pela aparente aridez do terreno ou pelos
prognósticos de escassa colheita.
“
João”
Deste nome
despontaram as muitas comunidades: São
José, São Sebastião, São Francisco...
“João”!
Neste tronco
sólido, outros ramos se enxertaram. Na
sua fonte humilde vieram beber muitas
comunidades espalhadas pela cidade.
Desta arvore frondosa escorreram
abundantes riachos que fecundaram o
inteiro território que hoje constitui o
único Corpo do Senhor nesta cidade. A
sombra desta arvore alcançou muitos
lugares. Da sua seiva robusta tantos se
nutriram.
O mistério
de tudo se encerra no significado deste
nome: “João - Deus fez graça”.
Não fomos
nós, mas foi Deus que tudo fez. Somos
coadjuvantes. Ele é o protagonista.
Trabalhamos todos e trabalhamos muito,
mas tudo foi, é e continuará sendo obra
que vem Dele.
Por isso,
nesta noite de festa, não serve que nos
orgulhemos, nem que procuremos
reconhecimentos e louvores, nem que
lamentemos feridas ou conservemos
rancores.
“Que Ele cresça e
eu diminua”.
È isto que define a identidade daquele
que precede e prepara os caminhos do
Senhor. Cristo cresceu. Seu rosto pode
ser reconhecido em tantos lugares. Isto
é o que importa. O São João será sempre
mais forte tanto mais for capaz de
diminuir-se para que Cristo cresça. Este
é o segredo de sua identidade e a razão
da sua existência. Preparar. Abrir
caminhos. Diminuir para que Cristo
cresça.
Todavia,
nesta noite de festa, nos seja
consentido recordar. Dentre tantas
coisas que nos invadem o coração, seja
nos dado de novo poder sentir: o rumor
das quermesses e festas, a voz dos
leiloeiros, as melodias das sanfonas, o
vento frio de tantos junhos, os bailes
alegres das quadrilhas, o colorido das
bandeirinhas, o sabor do churrasco e das
batatinhas, a voz penetrante do
Cônego Antonio, o caminhar vagaroso
do Padre Brugnara coberto do sol
pelas folhas de mamona, o doce acento
italiano das Vitórias, Emilias
e Renatas com seu estar silencioso
capaz de introduzir-se nos corações, o
doce cantar das melodias e procissões
pela madrugada, o trabalho diuturno e
discreto das pequenas comunidades, a
fidelidade humilde de incontáveis
anônimos semeadores, a alegria dos
crianças acompanhando o vôo das pipas ou
perseguindo o sonho da bola, o
entusiasmo quase irascível dos seus
jovens a desafiar o que foi e ousar o
que pode ser, o sofrimento poderoso dos
fracos e doentes que mantiveram de pé a
paróquia com a impotência da própria
dor, a rede invisível tecida pelo
autentico amor que é sempre silencioso
...
Marias, Josés,
Antônios, Aparecidos, Pedros, Sebastiãos,
tantos Joãos e outros mais. Quem
poderia enumerá-los todos? Só Deus que
os têm escritos na palma da mão do seu
Filho!
E
entretanto, sem cada um deles nada teria
sido possível.
Não é
verdade que o passado esteja morto.
Celebrar quarenta anos é uma maneira de
revivê-lo.
E, toda vez
que o re-visitamos, eis que
redescobrimos quem somos, de onde viemos
e para onde vamos.
Somos
“São Joao”!
Precursores
do Senhor!
Viemos de
ter sido enviados a preparar seus
caminhos.
Vamos para
onde é necessário que se abram as suas
veredas.
Não importa
quanto será deserta a estrada. O
Espírito prometido irá adiante de nós.
Hoje, talvez
seja ainda mais desafiador cumprir esta
missão. Não são áridos os caminhos de
fora como foram um dia. É o coração do
homem que frequentemente se fez deserto
e muitas vezes perdeu a esperança do
amor.
Talvez não
sejam prioritárias as obras erguidas em
pedra, ferro e cimento. Serve, mais que
ontem, edificar nos corações para
transformar a Comunidade um lugar onde
as pessoas possam se entreter com Deus e
redescobrir que o amor, recebido e
doado, é a única força realmente capaz
de iluminar, porque clareia a partir de
dentro, e por isso resgata, atrai,
conduz, constrói.
Com Simeão,
portanto re-abracemos o Senhor que vêm
com a luz desarmada do seu amor.
Deixemos-nos vencer, uma vez mais, pelo
seu resplendor e não precisaremos temer
a escuridão. Seremos todos despenseiros
da sua claridade.
Como
João, que “não era a Luz,
mas veio para dar dela testemunho”.
Uma
Boa Festa a todos!
P. Ilson Montanari
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