Sacramento do Batismo

Imagem: purezabatismo.blogspot.com

Vamos iniciar nossa formação sobre os sacramentos. O primeiro deles, é o Batismo.

O Batismo é ação de Cristo na Igreja, realizada na água e no poder do Espírito, em continuidade com as “maravilhas da salvação” do Antigo Testamento, e é o sacramento da fé e da existência nova em Cristo e na comunidade escatológica da salvação.

O Batismo, ato de Cristo e da Igreja:

“Pedro batiza? Cristo batiza!”

O Batismo é, antes de mais nada, ato de Cristo que desdobra o mistério de sua páscoa no tempo da Igreja. Como os demais sacramentos, essa ação ser realiza pela mediação da Igreja, sacramentum Christi. Nesse sentido, o Batismo é ao mesmo tempo ato de Cristo e da Igreja. Aquele que deve ser batizado é convidado a entrar na Igreja. Com efeito, o Batismo constitui o ingresso no corpo de Cristo, que é a comunidade eclesial, e é o momento em que o homem não apenas se torna cristão, mas também “pedra viva” para a construção do templo de Deus. No Batismo a Igreja vive o mistério da maternidade universal: gera novos filhos e se constrói a si mesma. A Igreja, ao mesmo tempo, gera e é gerada: gera novos filhos através do Batismo e, por seu turno, é gerada pela incorporação de novos membros renascidos no Batismo: “É Cristo que, nascido do Espírito Santo e de mãe virgem, fecunda com o mesmo sopro a Igreja imaculada, para que o parto do Batismo gere a multidão dos filhos de Deus”.

Na água e no poder do Espírito:

A ação de Cristo na Igreja realiza-se pelo sinal sacramental da água e no poder do Espírito de Deus, e constitui um “nascimento do alto” que faz participar do reino da salvação. A palavra que Cristo pronunciada pela Igreja é o “banho” da purificação do pecado e da nova vida no Espírito: “Vós fostes lavados, fostes santificados e fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus”. Por meio do Espírito, Cristo age e constitui sua Igreja: “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo”. O mesmo Espírito nos introduz na participação da vida divina e nos permite dirigir-nos a Deus chamando-o de “Pai”, como seus filhos. “É o Espírito Santo que opera a reintegração no Paraíso, o ingresso no Reino dos Céus e o retorno à adoção filial. É ele quem dá a sana ousadia de chamar Deus de Pai, de participar da graça de Cristo e de sermos chamados filhos da luz”.

Em continuidade com as “maravilhas da salvação”:

Como Deus cria, liberta, faz aliança, habita, santifica, chama, envia e julga em todos os planos da História da Salvação, o Batismo constitui ação salvífica que representa as mesmas constantes da ação divina: é mistério de nova criação, de libertação da escravidão do pecado e da morte, de aliança a serviço de Deus, de santificação e vida sobrenatural no dom do Espírito, de morada divina e dedicação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, de vocação e participação na própria missão de Cristo e da Igreja, de decisão de fé e de juízo escatológico.

Essa perspectiva:

- subtrai o Batismo à pura factualidade para mostrar que ele pertence inseparavelmente a toda uma economia de ações divinas e de sinais, da qual constitui a continuação no tempo da Igreja;

- motiva a fé no Batismo com a fé nas grandes obras de Deus na historia salutis: o ato de fé, com efeito, já não pode ser ato totalmente cego ou arbitrário, mas a aceitação de desígnio de salvação orgânico e progressivo, que confere a cada um de seus momentos real inteligibilidade intrabíblica;

- por fim, mostra que o significado do Batismo não é outro senão o manifestado pelas “maravilhas da salvação” realizadas por Deus na história de Israel e em Cristo e que o poder do Espírito desdobra no tempo atual da Igreja.

Sacramento da fé e da nova existência em Cristo e na comunidade escatológica da salvação:

Como todo sacramento, o Batismo se cumpre na fé da Igreja, pressupondo, pelo menos in voto, a fé de quem dele se aproxima. Ainda que eficaz por si mesmo, ele chama à adesão e à resposta de fé, de modo que os dons divinos que nos aporta sejam vividos frutífera e plenamente: “Uma fé, a fé batismal, que reveste de nova luz toda a existência humana, inserindo-a em contexto salvífico preciso de comunicação pessoal com o Deus tripessoal no âmbito da Igreja-comunidade dos salvos”.

Com efeito, o Batismo inaugura nova existência em Cristo e na Igreja. Se renascemos no Espírito, devemos é conseqüência lógica do indicativo sacramental (renascemos), conforme o grande princípio Paulino: “Exorto-vos a andardes de modo digno da vocação com que fostes chamados”. É dessa nova condição de vida que nasce o compromisso de luta dos batizados contra toda forma de mal, para viver em coerência como filhos de Deus e “santos”.

João, por sua vez, caracteriza a vocação batismal com base em alguns traços decisivos, como: não cometer pecado, trabalhar pela justiça, vencer o mundo com a força da verdade e caminhar na luz. Desse nascimento batismal também deriva a missão própria de cada cristão na Igreja e seu testemunho no mundo: “Todos os cristãos, com efeito, onde quer que vivam, fazem questão de manifestar com o exemplo de sua vida e com o testemunho de suas palavras o homem novo com o qual foram revestidos no Batismo”.

“O Batismo recorda, torna presente a Páscoa de Cristo, a nova vida, realizando-se a Aliança de amor na fé e a inserção na Comunidade eclesial”.

Os elementos constitutivos do Batismo são:

Matéria: água

Forma (intenção): Filiação divina e pertença à Igreja.

Gesto: banho

Palavra: (nome de quem é batizado)... Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! (sem o “amém”).

No próximo mês falaremos sobre o sacramento da Crisma. Até lá.

Fonte: Apostila e Livros do curso de Teologia para Leigos da Arquidiocese de Ribeirão Preto.