Sacramento da Ordem - 1ª Parte

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O Sacramento da Ordem é o ato em que o Pai de Jesus Cristo, mediante nova efusão do Espírito Santo configura um batizado ao seu Filho unigênito feito homem, sumo e eterno Sacerdote, consagrando-o ao Ministério do anúncio, da santificação e da animação, para a construção do Povo da Nova e Eterna aliança no mundo. Isso é verdadeiro em primeiro lugar para os Bispos, sucessores dos doze apóstolos, mas também igualmente verdadeiro, propriamente, para os presbíteros e diáconos, cooperadores da Ordem episcopal segundo a sua vocação específica. O Ministério que deriva o Sacramento da Ordem, portanto, define-se em relação a Cristo e a Igreja: em relação a Cristo, qualifica-se como participação vicária no único e eterno sacerdócio de Cristo, do qual constitui o prolongamento e a presença no tempo e no espaço; em relação à Igreja, como extensão de sua sacramentalidade global a serviço do sacerdócio comum dos fiéis e pela construção do Reino de Deus. Visto a teologia desse sacramento estar arraigada na economia da Salvação consumada em Cristo e desdobrada na Igreja, só perceptível no âmbito dessa economia e da continuidade da  ação de Deus nos diversos níveis da “Historia salutis” hitórico-salvífico, eclesial, litúrgico-sacramental.

O Espírito Santo fonte de santificação dos diversos ministérios da Igreja:

O Espírito Santo, que constituiu os apóstolos para apascentar a Igreja de Deus e a completa continuamente com múltiplos dons, está na origem tanto da vocação quanto da santificação e missão dos  ministérios da Igreja. Não há ação de consagração ao ministério sem invocação do Espírito Santo, juntamente com o gesto de imposição das mãos. O novo rito dá à epiclese e à imposição das mãos toda a sua centralidade e seu relevo, no que se refere à ordenação do diácono, do presbítero e do bispo. Por sua vez, as prelações introdutórias aos ritos sublinham a relação indissolúvel entre ministério-missão e ação do Espírito Santo.

Os ministérios ordenados, sinais sacramentais do ministério de Cristo:

O novo ritual expressa tanto a continuidade dos ministérios ordenados em relação às prefigurações do Antigo Testamento às realizações no Novo Testamento (especialmente nas preces de ordenação) quanto as características dos ministérios ordenados do bispo, dos presbíteros e do diácono (sobretudo nas prelações e nos sinais próprios de cada um dos respectivos).

a)A missão primária do bispo:

Na perspectiva profundamente critológico-eclesial, o novo rito qualifica o ministério do bispo como sinal vivo de Cristo, supremo pastor do Povo de Deus, em torno do qual, pela ação ininterrupta do Espírito Santo, se reúne e se constrói a comunidade eclesial. Particularmente rica de conteúdos e de imagens bíblicas é a prece de ordenação, que entre outras coisas, enfatiza que a graça do serviço episcopal é um dom do Espírito dado por Cristo aos apóstolos e constitui o eleito no colégio episcopal para cumprir a missão de sumo sacerdote, tendo em vista a construção da Igreja.

b)Os presbíteros, colaboradores do ministério episcopal na Igreja:

O ministério do presbítero, em virtude do sacramento da Ordem, está estreitamente conjugado ao ministério do bispo. Com efeito, o presbítero também torna Cristo presente e, em seu nome e com autoridade, age em comunhão com o bispo. O novo rito destaca repetidamente essa colaboração específica dos presbíteros com a missão apostólica dos bispos. Depois de relacionar o ministério sacerdotal às prefigurações dos setenta homens chamados a colaborar com Moisés na direção do antigo Povo e aos Filhos a Aarão, a prece de ordenação recorda particularmente que a plenitude dos tempos, aos apóstolos foram acrescentados outros mestres da fé que os ajudassem a anunciar o Evangelho no mundo inteiro.

c)Os diáconos, servidores de Cristo e da Igreja em comunhão com os bispos e os presbíteros:

Na perspectiva de ministerialidade, os diáconos são expressão e animação da vocação ´própria da Igreja. Com a retomada do diaconato permanente, a Igreja teve a consciência de acolher um dom do Espírito e de dar de si uma imagem  mais completa e correspondente à vontade de Senhor. Ademais, o rápido exame que fizemos das motivações teológicas subjacentes à estrutura do novo Ordo mostra que o relevo dado à função ministerial, nos seus diversos graus, não só ofusca como, ao contrário, expressa relação ontológica do ministro humano com a pessoa de Cristo e com o seu Corpo Místico. Cristo necessita dos homens para cumprir sua obra de salvação. E é com eles, através do Espírito presente na Igreja, que continua sua ação iluminadora e santificadora, o que revela com máxima clareza nos sacramentos: os gestos sacramentais realizados pelo ministro são ações pessoais do Cristo Ressuscitado. Nesse sentido, não obstante suas fraquezas ou insuficiências humanas, o ministro ordenado é aquele por meio do qual, de modo eminente, Cristo continua a realizar suas maravilhas de salvação no tempo da Igreja, tendo em vista a realização plena e definitiva do mundo escatológico inaugurado por Cristo e pelo dom do Espírito no pentecostes. O Sacramento da Ordem desdobra o mistério da aliança de Cristo e da sua unção no Espírito no batiizado, para torna-lo instrumento de realização das grandes obras de Deus no tempo da Igreja.

Equipe de Formção permanente

Fonte: Apostilas do curso de Teologia para Leigos da Arquidiocese de Ribeirão Preto