Sacramento da Eucarístia - 2ª Parte.

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Os sacramentos são as maravilhas da salvação e o tempo presente: são obras do poder de Deus que, através da meditação do símbolo sacramental, nos introduzem na participação do Mistério Pascal de Cristo e do dom de seu Espírito, incorporando- os, cada qual a seu modo, à comunidade dos tempos escatológicos que é a Igreja. A Eucaristia é o centro e o vértice dessa economia de salvação: é o ponto de chegada que recapitula a história salutis e torna presente no simbolismo sacramental a maravilha decisiva dessa história, a Páscoa de Cristo. Toda tentativa de síntese teológica do mistério eucarístico corre inevitavelmente o risco de redundar incompleta e parcial, devido à extraordinária riqueza desse mistério, que marca o ponto mais alto da condescendência de Deus e da máxima condensativo de sua presença na história. Não obstante, isso pode-se tentar indicar algumas linhas matrizes que permitem caracterizar o conjunto do Mistério, ainda que consciente dos limites do empreendimento. Recuperando os elementos expostos nas páginas anteriores e integrando-as com os dados dogmáticos da fé católica, pode-se descrever, nesse quadro preciso, a Eucaristia como a ação de Cristo da Igreja que memoriza e atualiza o Mistério Pascal da salvação em banquete sacrifical no qual o ressuscitado está realmente presente nos sinais sacramentais do pão e do vinho e se comunica aos crentes; mistério da fé que constrói o povo de Deus no tempo atual e orienta-se dinamicamente para o retorno glorioso de Cristo.

A Eucaristia ato de Cristo e da Igreja

Quando se celebra a Eucaristia, é o próprio Senhor Jesus Cristo que se oferece ao Pai. A Missa não é simples recordação, realizada por outras pessoas: é o próprio Cristo que vive para sempre para interceder por nós (Hb 7, 25), perpetuando e atualizando, de modo sacramental, sua oblação sacrifical única ao Pai pela salvação de todos, pela mediação da Igreja, seu Corpo. O ministro principal da missa é o próprio Senhor Jesus. O presidente da celebração (presbítero) é ministro de Cristo e da Igreja, falando e operando "in persona Christi" e deve ter a intenção, pelo menos virtual, de fazer o que faz a Igreja, sob pena de invalidade da celebração. O Concílio de Trento declarou que é o próprio Jesus, que se entregou na cruz, que se oferece na Santa Missa pelo Mistério do sacerdote. Assim, não é a santidade do ministro humano que realiza o sacramento, mas somente o poder salvífico de Deus; obviamente, entende-se que o ministro deve fazer tudo para se conformar à grandeza do que celebra. E, sendo ação de Cristo, a missa é formada ao mesmo tempo da ação de toda a Igreja, porque em cada Missa é a Igreja Universal, a Igreja nos seus vários estágios, que ora, canta dá graças e se oferece ao Pai por Cristo, com Cristo, e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. Essa Igreja universal é representada pela comunidade dos fiéis, presidida pelo sacerdote: por essa razão, toda missa é ato público e não ação privada ou individual. Na realidade, quando afirmamos que a Missa é ação de Cristo e da Igreja, afirmamos que é ação do Cristo total, como expressa Santo Agostinho, visto que a Igreja é corpo de Cristo e ele é sua cabeça. O Senhor não se separa da Igreja, assim como essa não poderia fazer sozinha, sem o seu Senhor.

Memorial do Mistério Pascal da salvação:

Sob o aspecto da anamnese, a celebração eucarística é atualização significativa dos Mirabilia Dei em relação á humanidade: memorial significa continuidade da salvação. E dado que é o evento Pascal de Cristo que constitui o vértice e o centro dos Mirabilia Dei da História da salvação, a anamnese eucarística é particularmente memorial da entrega total de Cristo ao Pai, memorial que é atualização permanente do sacrifício único da salvação, tornando presente em todo espaço e tempo pela mediação da oferta sacramental do Corpo e Sangue do Senhor, feita pela Igreja. Nesse sentido, em resposta aos reformadores, que rejeitaram o caráter sacrifical da missa ou consideravam somente em sentido improprio, o Concílio de Trento declarou que a Eucaristia é verdadeiro sacrifício; não é, porém, sacrifício numericamente diferente do sacrifício da cruz, mas sim aquele sacrifício único, tornando presente na oferta sacramental da missa. Não se trata de dois sacrifício, e sim do mesmo e único sacrifício. O que muda é forma de oblação: na cruz ele se cumpriu de modo cruento, no altar se realiza de modo incruento; é Cristo que oferece ao Pai, sobre o altar Cristo associa a Igreja a si e à sua oferta e é pela ação da Igreja que se renova o sacrifício da Páscoa. Desse modo o memorial eucarístico adquire densidade que permite recuperar ao mesmo tempo, em perspectiva sacramental, a presença permanente e o sacrifício eucarístico, na esteira do símbolo real dos padres antigos: ajuda os católicos a não fazerem da missa sacrifício redentor em si e por si mesmo, desligada do sacrifício único da cruz, e ajuda os protestantes a superarem um provável docetismo, repensando a presença eucarística e desenvolvendo na linha patrística o tema sacrifical e sua teologia da Santa Ceia.

Fonte: Apostila e livros do Curso de Teologia para Leigos da Arquidiocese de Ribeirão Preto.