Sacramento da Eucaristia - 1ª Parte.

Imagem retirada do site: http://pascomcamporedondo.blogspot.com.br/2012/07/a-eucaristia-cria-comunhao-e-educa-para.html

Os sacramentos são as "maravilhas da salvação " e o tempo presente: são obras do poder de Deus que, através da mediação do símbolo sacramental, nos introduzem na participação do Mistério Pascal de Cristo e do dom de seu Espírito, incorporando-os, cada qual a seu modo, à comunidade dos tempos escatológicos que é a Igreja.

A Eucaristia é o centro e o vértice dessa economia de salvação: é o ponto de chegada que recapitula a história salutis e torna presente no simbolismo sacramental a "maravilha" decisiva dessa história, a Páscoa de Cristo.

Toda tentativa de síntese teológica do mistério eucarístico corre inevitavelmente o risco de redundar incompleta e parcial, devido à extraordinária riqueza desse mistério, que marca o ponto mais alto da condescendência de Deus e da máxima condensatio de sua presença na história. Não obstante isso, pode-se tentar indicar algumas linhas matrizes que permitem caracterizar o conjunto do Mistério, ainda que consciente dos limites do empreendimento.

Recuperando os elementos expostos nas páginas anteriores e integrando-os com os dados dogmáticos da fé católica, pode-se descrever, nesse quadro preciso, a Eucaristia como a ação de Cristo e da Igreja que memoraliza e atualiza o Mistério Pascal da salvação em banquete sacrifical no qual o ressuscitado está realmente presente nos sinais sacramentais do pão e do vinho e se comunica aos crentes; mistério da fé que constrói o Povo de Deus no tempo atual e orienta-se dinamicamente para o retorno glorioso de Cristo.

A Eucaristia ato de Cristo e da Igreja

Quando se celebra a Eucaristia, é o próprio Senhor Jesus Cristo que se oferece ao Pai. A Missa não é simples recordação, realizada por outras pessoas: é o próprio Cristo que "vive para sempre para interceder" por nós (Hb 7, 25), perpetuando e atualizando, de modo sacramental, sua oblação sacrifical única ao Pai pela salvação de todos, pela mediação da Igreja, seu Corpo. O ministro principal da Missa é o próprio Senhor Jesus. O presidente da celebração (presbítero) é ministro de Cristo e da Igreja, falando e operando "in persona Christi" e deve ter a intenção, pelo menos virtual, de fazer o que faz a Igreja, sob pena de invalidade da celebração.

O Concílio de Trento declarou que é o próprio Jesus, que se entregou na cruz, que se oferece na Santa Missa pelo ministério do sacerdote. Assim, não é a santidade do ministro humano que realiza o sacramento, mas somente o poder salvífico de Deus; obviamente, entende-se que o ministro deve fazer tudo para se conformar à grandeza do que celebra. E, sendo ação de Cristo, a Missa é formada ao mesmo tempo da ação de toda a Igreja, porque em cada Missa é a Igreja Universal, a Igreja nos seus vários estágios, que ora, canta, dá graças e se oferece ao Pai por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. Essa Igreja Universal é representada pela comunidade dos fiéis, presidida pelo sacerdote: por essa razão, toda missa é ato público e não ação privada ou individual (SC 27;48: EV I, 44,84). Na realidade, quando afirmamos que a Missa é ação de Cristo e da Igreja, afirmamos que é ação do "Cristo total", como expressa Santo Agostinho, visto que a Igreja é o Corpo de Cristo e ele é a sua cabeça. O Senhor não se separa da Igreja, assim como essa nada poderia fazer sozinha, sem o seu Senhor.

Seguiremos com a formação sobre Eucaristia no próximo mês. Até lá.

Fonte: Apostila  e livros do Curso de Teologia para Leigos da Arquidiocese de Ribeirão Preto.