Os Sacramentos

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Os sacramentos são obras divinas que não se explicam racionalmente. A razão humana, pode, no máximo, remover os obstáculos que parecem se opor à sua inteligência, fisicamente falando, mostrando que não se trata de ações absurdas. Mas não pode fazer mais do que isso. Consequentemente, os sacramentos correriam o risco de parecer pouco compreensíveis, sem referências que os justifiquem e fundamentem no plano da fé. Pois bem, o testemunho bíblico é que dá esse “motivo de credibilidade”, enquanto mostra que os sacramentos não são obras extemporâneas, mas o cumprimento do que foi prometido por Deus em toda a história bíblica, sendo prolongamento de tudo que Cristo realizou e adquiriu perenemente em si para a humanidade inteira. A fé nos sacramentos apoia-se então na fé nas grandes ações realizadas por Deus no Antigo e no Novo Testamento e que constituem, em seu conjunto, a história da salvação.

A noção essencial que se deve ter presente para compreender esse aspecto é a noção de profecia, bem como a relação que ela estabelece entre as obras realizadas por Deus nos diversos momentos da história da salvação.

O Antigo Testamento só é memorial por ser profecia: é recordação das grandes obras realizadas por Deus no passado, mas para fundamentar a promessa das obras infinitamente maiores que ele realizará no futuro.

O Novo Testamento é o cumprimento dessa espera e a inauguração da fase última da história. Com Cristo realizou-se tudo o que os profetas haviam anunciado: ele é a nova criação, o novo templo, a aliança perfeita, a verdadeira santificação, o juízo de Deus sobre o mundo. As obras de Jesus são as “maravilhas” dos tempos messiânicos. Não são simplesmente obras sucessivas, mas sim o cumprimento da “plenitude dos tempos”: são obras da redenção, as obras dos tempos escatológicos que já começaram.

Os sacramentos pertencem a essa economia, objetivamente prevista, desejada e realizada por Deus: são as obras divinas que desdobram no espaço e no tempo tudo o que cumpriu em Cristo. Enquanto tais, são as obras divinas que manifestam no concreto tudo o que os profetas haviam anunciado em figura para os últimos tempos. Nessa perspectiva, deve-se tem em vista duas referências:

- Em relação ao mistério de Cristo, os sacramentos não constituem “outros” eventos savíficos. Propriamente falando, eles são a continuação do único mistério, tornado presente de modo eficaz, segundo as suas diversas configurações (de recriação, de libertação, de aliança, de justificação, de santificação, de missão).

- Em relação ao Antigo Testamento, os sacramentos, em continuidade com o Mistério de Cristo, são o cumprimento daquilo que os profetas haviam preanunciado para os últimos tempos: são os sinais da aliança nova e definitiva, mas sinais reais e eficazes; são os sinais da aliança nova e definitiva, a concretização da nova morada de Javé, o verdadeiro êxodo, a perfeita santificação, a expressão esplêndida do juízo vitorioso de Deus sobre o mundo. Não se trata mais de espera, mas de presença: eles não são promessa, mas o cumprimento da promessa, a realidade dada.

Os sacramentos não se apresentam mais a nós como fatos isolados ou estranhos à economia bíblica da salvação, mas obras que realizam essa economia e expressam a fidelidade de Deus às suas promessas e ao seu plano salvífico.

Os sacramentos proclamam que o desígnio da salvação já se realizou: eles o prolongam e atualizam no tempo da Igreja, transmitindo a cada homem a eficácia única do mistério pascal de Cristo. Os sacramentos são “maravilhas da salvação” que nos testemunham que Deus manteve-se e continua a se manter fiel às suas promessas.

O que constitui uma maravilha é a originalidade, unicidade e Beleza daquilo que se diz.

 

Fonte: Apostila e livros utiliados no Curso de Teologia para Leigos da Arquidiocese de Ribeirão Preto