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Novos santos para a Igreja

Imagem retirada de http://arquidioceserp.org.br/noticias?id=10952

No dia 14 de outubro, tive a alegria, com outros mais de três mil sacerdotes das mais diversas regiões do mundo, de concelebrar a missa de Canonização de São Paulo VI, Santo Oscar Homero e outros cinco novos santos da nossa Igreja Católica. Além de bispos e cardeais, jovens que participam do Sínodo dos Jovens, de 3 a 28 de outubro, aqui em Roma, e muitos latino-americanos, milaneses que lotavam e agradeciam a vida dos novos santos, nos arredores da Cidade do Vaticano.

No início preparávamos os corações com o Cântico das Criaturas (Dn 3, 52-90) que entoava o coral do Vaticano, e repetidas vezes dizíamos “Aleluia!”, quando da antífona da celebração: “Se levardes em conta nossas faltas, quem poderá resistir? Mas em vós se encontra o perdão, ó Deus de Israel!” (Sl 129,3) adentrava na Praça de São Pedro, a cruz processional ladeada pelas 7 velas e dos Evangelhos sendo portado por dois diáconos que respectivamente os traziam em língua italiana e grega, alguns cardeais, e o Santo Padre, Papa Francisco, com os cerimoniários, após tomarem seus lugares iniciou-se a Missa de Canonização.

Emoção indescritível, pois estar em Roma, me dedicando aos estudos, sendo confrontado todo dia com a saudade e a alegria por viver intensamente este período da minha vida, e do meu ministério fez com que pudesse lançar meu pensamento à grandeza da Igreja que como mãe nos acolhe, e nos incentiva pelo testemunho de muitos irmãos a buscar a santidade.

Especialmente quando olhamos a vida destes novos santos da Igreja, numa história tão recente, como conseguiram impulsionar a igreja para a modernidade, não obstante todos os seus sofrimentos. Num momento em que o ministério é tão confrontado e cobrado, ter a brisa destes exemplos que nos ajudam a olhar avante e ter a serenidade para continuar no caminho.

São Paulo VI (papa) o primeiro a sair do continente europeu e ir a todos continentes, a tirar a tiara que coroavam os papas, e descer para estar com o povo saindo da sede gestatória. E ainda o papa que assinou as constituições e decretos do Concílio Ecumênico Vaticano II, novo olhar da Igreja diante do mundo. Beatificado em 2014 e agora canonizado.

Santo Oscar Romero (bispo e mártir), que derramou sua vida aos pobres e sofredores de seu país e de nosso continente. Exemplo de vida ministerial entregue e oferente. Repensar neste assassinato entre os doentes daquele hospital, onde Dom Oscar celebrava a Eucaristia é dizer como o próprio Cristo, “este é o meu corpo oferto em sacrifício por vós!”

Ter a oportunidade de ouvir da voz do santo padre: “Sanctos esse decernimus et definimus, ac Sanctorum Catalogo adscribimus, statuentes eos in universa Ecclesia inter Sanctos pia devotione recoli debere” (Nós os registramos no Catálogo dos Santos, estabelecendo em toda a Igreja que estes são devotamente honrado entre os santos). E todos nós aclamamos: “Iubilate Deo, cantate Domino” (Aclamai ao Senhor, cantai ao Senhor!). É poder sentir no coração um agradecimento que vai para a vida, e nos encoraja a continuar nossa missão!

Os dois foram estudantes da Pontifícia Universidade Gregoriana, onde faço minha licenciatura.

Pude unir meu coração ao de tantos arquidiocesanos que nos acompanhavam pela tv, internet, e mesmo nas mensagens recebidas no celular, sentir que a distância e o fuso não nos impedem de sermos congregados, eclesia, Povo de Deus. Emoção e impulso são as palavras que resumem este dia, e acima de tudo sentir-se parte. Forte abraço – Arrivederci, ci vediamo!

fonte: Arquidiocese de Ribeirão Preto, escrita pelo Padre Márcio Luiz de Souza (Presbítero da Arquidiocese de Ribeirão Preto e aluno do Colégio Pio Brasileiro em Roma)