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No Advento, padre Gustavo Uchoa comenta sobre a figura de Maria: confiança e servidão

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Protagonista do quarto domingo do Advento, Maria é “aquela que foi sensível à voz de Deus e entendeu as necessidades alheias”, afirma padre Gustavo Uchoa

“Quem porta Deus é servidor e não egoísta”. A frase é do pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida e Santo Expedito, localizada em Lorena (SP), padre Gustavo Uchôa, e faz referência a Maria, protagonista do evangelho deste quarto domingo do Advento, 23. O texto narra o encontro de Maria com sua prima Isabel e a icônica saudação de Isabel a Maria: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1,42).

O sacerdote recorda a decisão de Maria, de ajudar sua prima Isabel durante uma gravidez de risco. “Maria, aquela que encontrou ‘graça diante de Deus’ (cf. Lc 1,30), após o diálogo com o anjo segue em missão. Aquela que foi sensível à voz de Deus também soube entender as necessidades alheias, não fechou-se em si mesma, deleitando-se no fato de trazer em seu ventre o Filho de Deus, ao contrário, pôs-se a caminho num gesto de solidariedade”, frisou.

Na liturgia deste domingo, padre Gustavo reforça a figura de Maria como representante de um povo. “A promessa da chegada do Salvador aguardado por Israel torna-se realidade, ‘o Senhor olhou para a humildade de sua serva’ (Lc 1,48). O anúncio a Maria dirige-se também à comunidade fiel. A alegria de Maria é a alegria de todos, a Boa Notícia não é exclusividade, a comunidade também é agraciada pela encarnação do Verbo Divino”, afirma o sacerdote.

A confiança, além da servidão, é outro atributo de Maria, destacado pelo sacerdote. “Maria não confiou porque foi beneficiada, simplesmente amava a Deus, era fiel aos ensinamentos da tradição hebraica, cantava salmos, fazia orações de súplica e louvor, acolhia a Palavra de Deus. Porque era fiel soube confiar!”, comentou padre Gustavo, em referência à frase dirigida por Isabel a Maria, descrita no evangelho deste domingo – “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor prometeu”. Aos fiéis, o sacerdote frisou: “A confiança está intimamente ligada à fidelidade (…). Quando nos deixamos conduzir por Deus somos envolvidos também por esta força do alto”.

A paz também está presente na liturgia do quarto domingo, na primeira leitura, tirada da profecia de Miquéias sobre a vinda de Jesus. Na profecia, está escrita a frase: “Ele mesmo será a paz”, em referência à vinda de Cristo. “Miquéias está situado num contexto de conflitos e injustiças. Por isso, a profecia em seus lábios não ignora a realidade. Olhando ao seu redor profetiza: ‘De Belém sairá aquele que será a Paz’ (cf. Mq 5,1-4)”, comenta o sacerdote. Para padre Gustavo, o cristão também é alguém que almeja a paz, e que deve promovê-la.

“Não podemos nos acomodar às estruturas fáceis, não podemos fechar os olhos ao que se passa em nosso bairro, cidade, país, mundo. Quando assumimos nossa fé imitamos Jesus Cristo, ele é a Paz, nós somos promotores. Não nos deixemos levar pelo medo e conformismo, o Espírito de Deus está sobre nós!”, exortou o sacerdote.

O advento é, de acordo com padre Gustavo, um tempo propício para que a humanidade acolha Jesus novamente. “Preparemos nossa ‘manjedoura interior’, revendo tudo aquilo que precisa ser deixado de lado, o que precisa de ajustes, o que ainda precisamos adquirir para a vinda do Senhor. Cada cristão vive um processo contínuo de conversão na esperança de um ‘novo céu e nova terra’ (cf. Ap 21,1)”, sublinhou. Segundo o sacerdote, é no Advento que divino e humano se encontram: “Senhor se faz ‘Deus Menino para nosso bem’, e nós vamos ao seu encontro para ofertar-lhe o que somos e temos, confiantes que Ele nos acolherá, reanimando-nos com alegria e esperança”, concluiu.

 

Fonte: Canção Nova