“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” Jo 15,16 | Mensagem do mês de Maio

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” Jo 15,16 | Mensagem do mês de Maio

Caríssimos paroquianos,

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constitui para que vades e produzais fruto e o vosso fruto permaneça”. (Jo 15,16)

O mês de maio, na tradição do povo era considerado o mês das noivas, tendo em vista os muitos casamentos que eram realizados durante esse período. Hoje, nem sempre temos tantos casamentos nesse mês. Para a Igreja católica o mês é dedicado à Maria, mãe de Jesus, por celebrarmos o dia de Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 e pela festa da Visitação de Maria à sua prima Isabel, no dia 31. Maria é o modelo de mãe para todos nós, e, providencialmente, celebramos no segundo domingo do mês de maio, o dia das mães.

Quantas homenagens rendemos à Virgem Maria, por meio da oração do santo terço, das celebrações, ladainhas e coroação, associando, também, às nossas mães biológicas, adotivas e espirituais, buscando a proteção da mãe maior a todas elas. Isso sem contar as inúmeras intenções nas missas pelas mães falecidas. Como diz o Padre Antônio Carlos (Tom), as mães não poderiam morrer... mas sabemos que mesmo não estando fisicamente conosco, elas estão eternizadas dentro de nós, principalmente quando celebramos a Eucaristia.

Acolhamos as palavras do Papa Francisco que diz: “Não adianta levar flores e velas nos cemitérios quando em vida, não fomos flores e luzes na vida de nossos entes queridos, principalmente de nossas mães falecidas. Sejamos ramalhetes de flores no jardim de nossas casas, exalando o odor perfumado da presença do amor, da caridade, da paciência, do diálogo e da misericórdia entre todos os que nos cercam.”

Que Maria, a mãe de Cristo e nossa, interceda sempre a Jesus, o Bom Pastor, por nós, para que nunca nos afastemos do caminho que nos conduz ao céu.

Quero também agradecer, dentre deste mês mariano, o dom de minha vocação e ordenação:  Fui ordenado diácono no dia 06 de maio de 1999 e presbítero no dia 14 de maio de 2000.

Em minha ordenação diaconal o meu lema foi “Fazer tudo na caridade” (1Cor. 16,14). Tenho procurado colocar este lema em prática todos os dias, porque, antes de ser presbítero, sou servidor do Reino de Deus. Não posso esquecer que o diaconato vem primeiro: um olhar misericordioso para os prediletos do Senhor, à serviço da Palavra e da caridade.

Como padre, recordo do meu lema todos os dias: “Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi...” (Jo 15,16), lembrando a frase de meu primeiro reitor, Monsenhor Orlando, que dizia que no reino de Deus não há lugar para os oferecidos e sim para os escolhidos; que minha vocação não pode ser encarada como profissão, e sim, doação a exemplo do Cristo servo.

Por mais que ocupemos algumas responsabilidades à frente das paróquias e outras instâncias na Diocese ou Arquidiocese que estamos, não podemos perder o espírito de serviço e doação. É claro que precisamos cuidar bem de nós mesmos para cuidarmos bem dos outros, mas no sentido de estarmos juntos, caminharmos juntos, não como funcionários de uma instituição chamada Igreja.

Infelizmente muitos querem fazer carreirismo dentro da própria Igreja, ou querem galgar os primeiros lugares dentro da hierarquia eclesiástica (Igreja), mas não querem colocar o avental do serviço e do despojamento total, lavando os pés uns dos outros.

Nestes meus 18 anos de ministério, peço perdão pelas vezes em que não fui um bom pastor junto às pessoas a mim confiadas, pelas fraquezas e pecados, pela minha falta de humildade em reconhecer os erros e por não ter buscado minha conversão e santidade todos os dias.

Enfim, agradeço imensamente o dom da minha vocação. Como dizia o saudoso Luís de Amaral Mousinho: “a minha maior alegria foi ter me ordenado padre”.

Sem dúvida, quando correspondemos ao chamado de Deus, tudo se torna dom para nós. Mesmo entre lágrimas a graça de Deus é fecunda em nosso meio. Hoje, só tenho a agradecer a Deus, à minha família e à Igreja que me acolheu como filho muito amado. Por isso continuo acreditando que a vocação surge mediante às orações suplicantes de tantas almas bondosas e abnegadas a Deus.  Pelos meus 18 anos de ordenação presbiteral, Louvado seja Deus! Minha eterna gratidão a todos (as) que rezam por mim! Seus nomes estão gravados no coração de Jesus, o Bom Pastor.

Com carinho e minha benção sacerdotal.

Padre Ivonei Adriani Burtia