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Abertura do Ano Jubilar | Homilia Dom Moacir

Abertura do Ano Jubilar | Homilia Dom Moacir

Queridos irmãos e irmãs, estamos iniciando o Ano Jubilar para comemorar os Cinquenta anos de existência desta querida Paróquia São João Batista. Jubileu significa júbilo, alegria; mas não simplesmente uma alegria interior e, sim uma alegria que se manifesta exteriormente; é para isso o nosso Ano Jubilar.

A razão da nossa alegria são as incontáveis graças, que Deus, nosso Senhor, tem concedido a esta Paróquia, ao longo destes 50 anos; por isso, é justo e necessário louvá-Lo e agradecê-Lo, por meio das celebrações ao longo deste Ano Jubilar.

O Ano Jubilar deverá ser para todos um ano de gratidão a Deus por todos os dons, graças e benefícios que Ele tem concedido a essa querida Paróquia; um ano de crescimento espiritual para todos os paroquianos; um ano de crescimento na comunhão eclesial; um ano de busca de uma maior santidade de vida para todos, uma vez que a santidade é “o horizonte para o qual deve tender todo caminho pastoral” (NMI, 30).

Este Ano Jubilar deve levar a comunidade paroquial a crescer na consciência de ser uma “construção de Deus”, cujo alicerce é Jesus Cristo. Na construção da vida pessoal e comunitária é urgente colocar Jesus Cristo como alicerce.

Celebramos a Festa da Apresentação do Senhor. Ele é apresentado como luz para iluminar todas as nações.

A Palavra de Deus nos convida a contemplar o mistério de Cristo.

Na primeira leitura o profeta Malaquias anuncia o mensageiro que o Senhor vai enviar. São palavras que lembram muito a tarefa de João Batista: preparar o caminho. É um mensageiro de Deus, por isso tem que ser muito bom. No entanto, o profeta pergunta: “Quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer?”

A tarefa do mensageiro é muito positiva: vem para purificar o culto, para que se possa então oferecer ao Senhor uma oferta adequada, de acordo com o coração de Deus. Mas não se faz purificação sem algumas correções que podem ser penosas.

Isso não vale só para as conversões necessárias para se ter mais coerência nas atitudes religiosas. Tudo o que precisa ser corrigido exige esforço, encontrará a oposição dos mais acomodados ou dos que receiam perder alguma coisa com a mudança.

E o mundo está cheio de coisas que precisam ser corrigidas: nas Igrejas, mas também nas famílias, no ambiente de trabalho, na política, na vida comunitária, nas escolas... Quem tem medo de se envolver fica na atitude do “deixa como está para ver como é que fica”.

O Evangelho nos apresenta Jesus menino sendo apresentado no templo, para cumprir a lei dos judeus, que Maria e José respeitavam.

Os evangelhos da infância são muitas vezes chamados de “miniaturas” da vida de Jesus. É que são cenas que, de certo modo, resumem simbolicamente o significado de toda a vida adulta e da missão de Jesus.

Hoje contemplamos Jesus ser recebido por Simeão. É um senhor bem idoso, a quem foi prometido que não morreria sem ver a salvação que viria de Deus.

Simeão está contente: Jesus é tudo o que ele sempre esperou. Mas aquilo que seria sinal de bênção e graça para Simeão, para outros seria motivo de crise, de queda (“Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel”). O próprio Jesus atrairia muitos seguidores e adversários. Teria glórias e fracassos, do ponto de vista humano.

Maria ouve o anúncio de Simeão, ao mesmo tempo esperançoso e assustador. Ninguém mais do que ela irá se alegrar com as vitórias de Jesus e sofrer com as dores desse filho tão especial. Simeão anuncia uma espada de dor que vai ferir a alma de Maria. Sabemos como foi fundo o golpe dessa espada, com esse filho correndo risco como pregador itinerante longe de casa, desafiando autoridades e sendo crucificado como um criminoso desclassificado.

Mas Maria é também considerada a figura-símbolo da Igreja. E a Igreja não é só feita de louvor a Deus, oração, paz de espírito e visto como instituição respeitada. Ser Igreja também envolve crises, escolhas difíceis, riscos, trabalho intenso em circunstâncias nem sempre favoráveis, processo de purificação e de permanente conversão.

Muitas vezes se sofre na Igreja, com a Igreja e pela Igreja. Isso faz parte da missão. Igreja não é uma espécie de clube para lazer espiritual, embora haja muita preciosa fonte de alegria na participação na comunidade dos que crêem.

A narração do Evangelho termina com a indicação de que Jesus foi crescendo e ficando forte, cheio de sabedoria, sempre acompanhado pela graça de Deus. Para assumir sua missão, Jesus não atropelou o tempo, não forçou a natureza. Passou por todo o processo de amadurecimento que faz parte do crescimento de uma pessoa humana: aprendeu com os outros mais adultos, viveu as limitações da cada fase da vida e da cultura em que nasceu. Isso faz parte do Mistério da Encarnação.

Ser cristão adulto implica também assumir o processo normal, gradual, de crescimento. Não ficamos iluminados de uma vez para sempre num tempo especial de conversão. Vamos progredindo devagar, às vezes com algum retrocesso que vai ser recuperado mais adiante, tendo sempre mais que aprender.

O cristão é interpelado na sua liberdade pelo chamado que Deus lhe faz para crescer, amadurecer, dar fruto. Ele é responsável por este crescimento e amadurecimento.

Por fim, o Ano Jubilar, que estamos iniciando hoje, é um tempo rico de graças, de reflexão, de revigoramento espiritual, de busca de uma maior santidade de vida para que cada fiel possa avançar para águas mais profundas na vivência da fé, da esperança, da caridade e no compromisso missionário, pastoral e eclesial.

Exorto a todos os paroquianos a viver intensamente o Ano Jubilar, sob a proteção de São João Batista, a serviço da Evangelização e da Salvação, a caminho do Reino definitivo.

E assim como Jesus crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria, possamos nós também, fundamentados na graça e vocação batismal, crescer em sabedora e graça diante de Deus e dos homens, hoje e sempre. Amém. 

 

Dom Moacir Silva

Arcebispo Metropolitano