Mandamentos VI | Catequese

Mandamentos VI | Catequese

Prezados irmãos e irmãs!

Continuemos as catequeses sobre os mandamentos, e hoje abordemos o mandamento «Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus» (Êx 20, 7). Lemos justamente esta Palavra como o convite a não ofender o nome de Deus e a evitar usá-lo inoportunamente. Este claro significado prepara-nos para aprofundar ulteriormente estas palavras preciosas, para não usar o nome de Deus em vão, inoportunamente.

Ouçamo-las melhor. A versão «Não pronunciarás» traduz uma expressão que significa literalmente, tanto em hebraico como em grego, «não assumirás, não te responsabilizarás».

A expressão «em vão» é mais clara e quer dizer: «debalde, inutilmente». Faz referência a uma embalagem vazia, a uma forma sem conteúdo. É a caraterística da hipocrisia, do formalismo e da mentira, do uso das palavras ou do nome de Deus em vão, sem verdade.

Na Bíblia, o nome é a verdade íntima das coisas e sobretudo das pessoas. O nome representa muitas vezes a missão. Por exemplo, Abraão no Génesis (cf. 17, 5) e Simão Pedro nos Evangelhos (cf. Jo 1, 42) recebem um nome novo para indicar a mudança no rumo da sua vida. E conhecer verdadeiramente o nome de Deus leva à transformação da própria vida: a partir do momento em que Moisés conhece o nome de Deus, a sua história muda (cf. Êx 3, 13-15).

Nos ritos judaicos, o nome de Deus é proclamado solenemente no Dia do Grande Perdão, e o povo é perdoado porque por meio do nome se entra em contacto com a vida do próprio Deus, que é misericórdia.

Então, “tomar sobre si o nome de Deus” quer dizer assumir sobre nós a sua realidade, entrar num relacionamento forte, numa relação íntima com Ele. Para nós, cristãos, este mandamento é a exortação a recordar-nos que somos batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», como afirmamos cada vez que fazemos sobre nós o sinal da cruz, para viver as nossas ações quotidianas em comunhão sentida e real com Deus, ou seja, no seu amor. E sobre isto, de fazer o sinal da cruz, gostaria de repetir mais uma vez: ensinai as crianças a fazer o sinal da cruz. Vistes como as crianças o fazem? Se disserdes às crianças: “Fazei o sinal da cruz”, fazem algo que não sabem o que é. Não sabem fazer o sinal da cruz! Ensinai-as a fazer o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O primeiro ato de fé de uma criança. Dever para vós, tarefa a cumprir: ensinar as crianças a fazer o sinal da cruz.

Podemos interrogar-nos: é possível tomar sobre si o nome de Deus de maneira hipócrita, como uma formalidade, em vão? Infelizmente, a resposta é positiva: sim, é possível. Pode-se viver uma relação falsa com Deus. Jesus dizia-o referindo-se àqueles doutores da lei; eles faziam coisas, mas não cumpriam o que Deus queria. Falavam de Deus, mas não faziam a vontade de Deus. E o conselho que Jesus dá é: “Fazei aquilo que eles dizem, mas não o que eles fazem”. Pode-se viver uma relação falsa com Deus, como aquelas pessoas. E esta Palavra do Decálogo é precisamente o convite a uma relação com Deus que não seja falsa, sem hipocrisias, a uma relação em que nos confiamos a Ele com tudo o que somos. No fundo, enquanto não arriscarmos a existência pelo Senhor, tocando com a mão o facto de que nele se encontra a vida, faremos unicamente teorias.

Este é o cristianismo que sensibiliza os corações. Por que são os santos capazes de sensibilizar os corações? Porque os santos não só falam, movem! O nosso coração comove-se, quando uma pessoa santa nos fala, nos diz coisas. E são capazes, porque nos santos vemos aquilo que o nosso coração deseja profundamente: autenticidade, relacionamentos autênticos, radicalidade. E isto vê-se também naqueles “santos da porta ao lado” que são, por exemplo, os numerosos pais que dão aos filhos o exemplo de uma vida coerente, simples, honesta e generosa.

Se multiplicarmos os cristãos que assumem o nome de Deus sem falsidades — praticando assim o primeiro pedido do Pai-Nosso, «santificado seja o vosso nome» — o anúncio da Igreja é mais ouvido e resulta mais credível. Se a nossa vida concreta manifestar o nome de Deus, vê-se quanto é bonito o Batismo e que grande dádiva é a Eucaristia, quão sublime união existe entre o nosso corpo e o Corpo de Cristo: Cristo em nós, e nós nele! Unidos! Isto não é hipocrisia, é verdade. Isto não é falar nem rezar como um papagaio, isto é rezar com o coração, amar o Senhor.

A partir da cruz de Cristo, ninguém pode desprezar-se a si mesmo e pensar mal da própria existência. Ninguém e nunca! Independentemente daquilo que fez. Porque o nome de cada um de nós está sobre os ombros de Cristo. É Ele que nos carrega! Vale a pena tomar sobre nós o nome de Deus, porque Ele assumiu o nosso nome até ao fundo, inclusive o mal que existe em nós; Ele assumiu-o para nos perdoar, para infundir o seu amor no nosso coração. Por isso, neste mandamento Deus proclama: “Toma-me sobre ti, porque Eu te tomei sobre mim”.

Quem quer que seja pode invocar o santo nome do Senhor, que é Amor fiel e misericordioso, em qualquer situação que se encontre. Deus nunca dirá “não” a um coração que o invoca sinceramente. E voltemos às tarefas de casa: ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz.

 

[Franciscus PP.]

22 de agosto | Audiência