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Arcebispo presidiu a Missa Crismal na Catedral de Ribeirão Preto

Arcebispo presidiu a Missa Crismal na Catedral de Ribeirão Preto

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto (SP), acolheu na Quinta-feira Santa, 29 de março de 2018, às 9 horas, o presbitério da Arquidiocese de Ribeirão Preto para a concelebração eucarística da Missa Crismal (Missa da Unidade) presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva. Concelebrou Dom José Geraldo Oliveira do Valle, CSS, bispo emérito de Guaxupé; os padres diocesanos e religiosos presentes no presbitério da Arquidiocese; e ainda a presença dos diáconos permanentes, dos alunos da Escola Diaconal São Lourenço, dos seminaristas, dos representantes paroquiais e paroquianos da Catedral e demais paróquias.

Na concelebração os padres renovaram as promessas sacerdotais e o arcebispo abençoou os óleos, que serão usados nas 85 paróquias, 2 Reitorias, 5 Quase Paróquias e 1 Área Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto nas celebrações dos sacramentos: “o óleo do crisma (misturado com perfumes), para significar o dom do Espírito no batismo, na crisma, na ordem; o óleo para os catecúmenos, que será ministrado no Batismo quando o batizado torna-se participante da Igreja e herdeiro da vida futura no céu; e o óleo para os enfermos, sinal da força que liberta do mal e sustenta na provação da doença”.

Nos ritos finais, antes da bênção, o padre Ivonei Adriani Burtia, representante dos presbíteros, eleito na última reunião do Clero, em 15 de março passado, leu mensagem de agradecimento ao padre Samuel Matias, que exerceu o mandato e a função de representante por quatro anos e se dedicou abnegadamente a formação e acompanhamento dos presbíteros. Após a bênção final, o arcebispo cumprimentou cada um dos presbíteros e entregou o Discurso do Papa Francisco aos Sacerdotes do Chile, ocorrido em 18 de janeiro de 2018; e na sequência entregou pessoalmente os Santos Óleos aos representantes das paróquias.
 

Leia na íntegra a homilia de Dom Moacir Silva:

Homilia de Dom Moacir Silva
Missa Crismal - Quinta-feira Santa

Queridos padres, hoje é o dia natalício de nosso sacerdócio. Um dia sumamente importante em nossa vida e ministério. Um dia de reflexão, de oração e de renovação de nossos compromissos sacerdotais. Mas, sobretudo, um dia de gratidão a Deus pelo dom do sacerdócio católico, pelo dom do nosso sacerdócio; gratidão a Deus pelo seu amor de predileção por cada um de nós.

 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção”. Pela nossa ordenação participamos desta consagração e unção do Senhor e Cristo Jesus. O Espírito Santo nos marcou com o seu sinete através da imposição das mãos do Bispo, enriquecendo-nos de graças e poderes particulares, realizou em nós uma misteriosa e real configuração a Cristo, Cabeça e pastor da Igreja, e fez de nós seus ministros para sempre.

Escutamos na primeira leitura: “Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamado ministros de nosso Deus”. Com o rito sagrado da nossa Ordenação fomos introduzidos em um novo gênero de vida, que nos separou de tudo e nos uniu a Cristo com um vínculo original, inefável, irreversível. Assim, a nossa identidade se enriqueceu com uma outra nota: somos consagrados (cf São João Paulo II, homilia na ordenação sacerdotal – Rio de Janeiro, 02/07/1980).

 Consagrados pela Sagrada Ordenação não pertencemos mais ao mundo, embora estejamos no mundo, e entramos num estado de exclusiva propriedade do Senhor. Já parei para pensar nisso? Somos exclusiva propriedade do Senhor! E como tal devemos viver e agir. O caráter sagrado nos atingiu em tal profundidade que orienta integralmente todo o nosso ser e o nosso agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não restou em nós mais nada de que possamos dispor como se não fosse sacerdote. Ainda quando realizamos ações que, por sua natureza são de ordem temporal, administração, por exemplo, agimos sempre como ministros de Deus. Em nós, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se “sacerdotalizado”, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida.

“Jesus nos identifica de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem age por meio de nós” (idem). Pelo sacramento da Ordem o sacerdote se torna efetivamente idôneo a emprestar a Jesus, nosso Senhor a voz, as mãos e todo o seu ser. É Jesus quem, na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substancia do pão e do vinho na do seu corpo e do seu sangue. É o próprio Jesus quem, no sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: Os teus pecados estão perdoados (Mt 9, 2; Lc 5, 20). É Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espirito da Igreja, anuncia a palavra de Deus. É o próprio Cristo que tem cuidado dos enfermos, das crianças e dos pecadores, quando os envolve o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.

Queridos padres, encontramo-nos aqui nas culminâncias do sacerdócio de Cristo, do qual somos participantes. Que grande amor Deus tem por cada um de nós, fazendo-nos participantes do sacerdócio de Jesus, seu Filho amado! Este amor nos compromete sempre mais. Nossa resposta a este amos só pode ser também uma resposta de amor, vivendo nosso ministério, dia a dia, por amor e com amor.

O dom do Sacerdócio, jamais esqueçamos disso, é um prodígio que foi realizado em nós, mas não para nós. Ele o foi para a Igreja, o que quer dizer, para o mundo a ser salvo. A dimensão sagrada do sacerdócio é totalmente ordenada à missão, ao ministério pastoral. Não somos sacerdotes para nós, mas para a Igreja, para a salvação da humanidade (Rito da ordenação).

Quando renovamos a consciência da grandeza e da beleza do dom de nosso ministério somos capazes de vencer os desafios da missão de cada dia; somos capazes de não nos deixarmos abater pelas incompreensões, pelos comentários maldosos, pelas fofocas, pelos maus juízos. Nosso sacerdócio é maior que tudo isso; e por isso mesmo, não pode ser sacrificado por esses desafios com os quais nos deparamos no dia a dia.

Por fim, recordo as palavras de São Joao Paulo II, na primeira carta aos sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa, em 1979: “vós sois sempre e em toda parte portadores da vossa particular vocação: sois portadores da graça de Cristo, eterno Sacerdote, e do carisma do Bom Pastor. E disto não podeis esquecer-vos; a isto não podeis nunca renunciar; e isto deveis atuar em todos os momentos e em todos os lugares e de todas as maneira”.

Hoje vamos renovar os compromissos assumidos no dia de nossa ordenação. A renovação de tais compromissos deve ser antecedida por uma reflexão, por um exame: Tenho sido consequente com os compromissos assumidos na Ordenação perante o Bispo e a Igreja ali reunida? Tenho vivido como convém a alguém configurado com Cristo, Cabeça e pastor da Igreja? No silêncio, pensemos um pouco nisso.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto
Quinta-feira Santa - 29 de março de 2018

 

Fonte: Arquidiocese de Ribeirão Preto