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Pilar da Palavra: Iniciação à vida cristã e a animação bíblica da vida e da pastoral

Imagem retirad de http://arquidioceserp.org.br/noticias?id=12269

“As pequenas comunidades são ambientes propícios para a acolhida dos que buscam a Deus” (Documento 109, n.89). Com o capítulo intitulado “A Igreja nas Casas”, os Bispos do Brasil lançam a semente em terreno fértil para suscitar às nossas comunidades um trabalho de evangelização que parta das pequenas comunidades, o que com frequência no documento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil se dirige às chamadas “Comunidades Eclesiais Missionárias”. O nosso tempo exige mais uma vez essa postura de conversão pastoral. Até porque a Igreja nasce na experiência frutuosa de viver a fé desde os pequenos grupos... nas casas!

Hoje vivemos esse momento doloroso e incerto do isolamento social. É muito triste também ver nossas igrejas fechadas e vivermos um “exílio” que hoje nos impossibilita de estarmos fisicamente em nossas comunidades paroquiais e outras experiências comunitárias. O documento 109 da CNBB propõe que a Igreja nas Casas se organize a partir daquilo que é essencial e constitutivo do ser Igreja: a Palavra, o Pão, a Caridade e a Ação Missionária viabilizam àquilo que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre as notas melódicas da fé cristã da unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade.

Cada um dos pilares da evangelização não atuam e nem sobrevivem independentemente. Anunciar Jesus Cristo nos leva a repensar um processo único, permanente e maduro para vivermos a fé cristã católica. É seguro dizer que não é fácil, porque vivemos um tempo de profunda fragmentação e individualismo. O avanço tecnológico, a fusão entre os mundos real e virtual e o consumismo desenfreado são como aquela tempestade que sacudia o barco dos discípulos durante a missão. E muitas vezes o desespero nos alcança. O Pilar da Palavra busca aprofundar nossa fé desde a Iniciação à Vida Cristã, no processo catequético com adultos, jovens e crianças, bem como naquilo que é consequente a este processo: o da Animação Bíblica da Vida e da Pastoral. Uma ação leva a outra: quando somos bem iniciados na fé, nossa comunidade é animada e se torna animadora da fé!

Este tempo inédito de reclusão pelo qual passamos nos ajuda a entender ainda mais aquilo que queremos planejar como ações pastorais em nossa arquidiocese nos próximos quatro anos: com tudo aquilo que discutimos na Assembleia Arquidiocesana, o ponto de partida é rever aquela atitude bonita e desprendida de Áquila e Priscila no livro dos Atos dos Apóstolos: sua casa se tornou uma Igreja Doméstica! Ali repartiam o Pão da Palavra, rezando juntos e alimentavam-se de uma fé segura, de uma esperança iluminadora e do amor que se consome desde o mandamento deixado por Jesus naquela noite santa.
Nenhum processo pastoral eficaz pode sobreviver sem esta referência obrigatória. Neste primeiro ano do quadriênio pastoral, somos convidados a revitalizar o amor que nasce do “aconchego do lar”. Temos certeza que nossas comunidades voltarão com um novo impulso pastoral se alimentarmos, desde os nossos lares, o que a própria palavra sugere em sua etimologia: ser uma lareira, que aquece os corações desde a Palavra de Deus proclamada dentro de casa, porque hoje cada pai e mãe de família se torna o catequista do lar e faz acontecer um processo de iniciação que há muito tempo havíamos perdido. Sigamos com fé!
 
fonte: Arquidiocese de Ribeirão Preto, escrita pelo Pe. Marcelo Luiz Machado e Diác. Paulo César Nascimento (Referenciais do Pilar da Palavra)