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Comentando a Palavra de Deus: Quinto Domingo do Tempo Pascal

Imagem retirada de http://arquidioceserp.org.br/noticias?id=12258

No Quinto Domingo do Tempo Pascal o Ressuscitado apresenta-se como o caminho a ser seguido para chegar ao Pai, a verdade que não escraviza nem ilude e a vida que se doa plenamente a toda a humanidade. Ele nos mostra o caminho a seguir, a verdade a buscar e a vida a defender. A missão exige pessoas disponíveis, e os apóstolos não têm medo de partilhar tarefas com gente disposta a assumi-la. Todos os fiéis formam, assim, o povo constituído em torno de Cristo caminho, verdade e vida. Jesus é o caminho que conduz ao Pai, a verdade que veio do Pai e a vida do Pai em nós. A comunidade, atenta às necessidades, organiza os vários serviços para poder manter-se atualizada. A comunidade é o sacramento vivo da presença de Cristo. A mesa eucarística consolida nossa inserção na vida de Cristo, pedra fundamental de toda construção duradoura.

O Senhor nos convida a renovar nossa adesão a ele e nosso desejo de comunhão e solidariedade de uns para com os outros.

Jesus liberta o coração dos discípulos infundindo-lhes confiança e segurança para a missão, pois ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Como os discípulos, conhecemos o caminho indicado por Jesus nossa opção radical pelo Evangelho, renovada a cada momento. Jesus, presença do Pai, nos impele a manifestar sua vida em plenitude mediante a fé e o amor solidário.

Confiantes, deixemos que o Senhor oriente a nossa caminhada, como fizeram os primeiros cristãos. Em Cristo ressuscitado, pedra angular do edifício, somos escolhidos e preciosos para Deus; mas também rejeitados, passamos por provações. No caminho de Cristo, partilhamos sua eleição, seu sofrimento para sermos uma nova e santa morada de Deus. Pelo batismo, nos colocamos a serviço do Reino, assumindo assim nosso ministério sacerdotal na fidelidade a Deus.

Os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo, para que por todas as obras do homem cristão ofereçam sacrifícios espirituais e anunciem os poderes d'Aquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cf. 1 Pd 2,4-10). Por isso todos os discípulos de Cristo, perseverando em oração e louvando juntos a Deus (cf. At 2,42-47), ofereçam-se como hóstia viva, santa, agradável a Deus (cf. Rm 12,1). Por toda a parte dêem testemunho de Cristo. E aos que o pedirem dêem as razões da sua esperança da vida eterna (cf. 1  Pd 3,15).

Os Apóstolos já não davam mais conta da Ação Querigmática, isto é, Anunciar a Boa Notícia do Ressuscitado! Pediram que as Comunidades de Fé, Oração e Amor indicassem os primeiros Diáconos! Escolheram "sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria..." a fim de colaborarem na construção da Igreja que Cristo sonhou para cada um de nós. Eis o segundo grau do Sacramento da Ordem: O Diaconado! Como são importantes os Diáconos em nossas Comunidades! Não se trata de substitutos de Padres, antes devem seguir além de suas funções próprias que eu prefiro chamar de SERVIÇO: A Proclamação da Palavra, A Preparação da Mesa Eucarística e a Distribuição da Sagrada Comunhão, especialmente aos Enfermos e Idosos, a Promoção da Caridade no zelo para com os mais pobres, as crianças e as viúvas, ser Homens formadores de Líderes nas Comunidades! Tivemos a rica experiência de colaborar na formação da Escola Diaconal São Lourenço da Diocese de Blumenau (SC) sob a orientação do baluarte da Evangelização no Brasil, Dom Angélico Sândalo Bernardino, que na primeira turma ordenou 38 Diáconos Permanentes, sempre sob a perspectiva de que fossem os grandes Formadores de Novas Lideranças na Igreja local. Desde que o Concílio Ecumênico Vaticano II resgatou o Diaconado Permanente, a Igreja tem zelado para que estes bons homens não sejam simplesmente "coroinhas ou substitutos de Padres", mas sejam o Evangelho Vivido lá onde Bispos e Padres não têm acesso.

Nem sempre nossos irmãos menos evangelizados aceitam a ministerialidade não ordenada! Percebemos irmãos que pulam a fila para evitar receber a Sagrada Comunhão do Ministro Extraordinário, preferindo recebê-la das mãos do padre. Outros exigem que seja o padre a assistir ao seu matrimônio e não o diácono permanente. A demasiada clericalização de nossas Comunidades traz consigo tais atitudes consequentes de ignorância, na maioria das vezes sem maldade. Mesmo nos Conselhos que formamos, ouvimos frequentemente expressões como: "Se o Padre pedir, farei, do contrário não..." Gosto sempre de pensar que precisamos caminhar com harmonia e muita serenidade para uma Igreja realmente missionária e ministerial, o que exigirá de todos: clérigos ou não três atitudes fundamentais: CONVERSÃO, COERÊNCIA e BOM SENSO!
 
Rezamos especialmente por todas as mães, vivas e falecidas, neste domingo a elas dedicado! Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil as tome todas em seu amado colo materno!
 
Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

fonte: Arquidiocese de Ribeirão Preto, escrita pelo Pe. Gilberto Kasper